A magia da realidade – Richard Dawkins

Um livro fantástico. Lembrando que o adjetivo ‘fantástico’ tem relação com ‘fantasia’, do verbo ‘fantasiar’, que significa iludir, ludibriar, cobrir com adornos determinada coisa, objetivando desviar a atenção e encantar. A Magia da Realidade é um livro coberto de imagens esporadicamente espalhadas ao longo das páginas, sob um jogo de cores magistral, em esquemas que adornam o texto e dão vida ao livro. O que para os leitores de As Portas da Percepção, de Huxley, não é o suficiente.

Verso Livre – Um “b” balbúcio ao Quotidiano de Maputo

Um “b” balbúcio ao Quotidiano de Maputo, de Dinis Muhai Os sapateiros da calçada nº 1245 lixam as solas com eloquência e conhecimento. Defronte deles noutra calçada moças esbeltas de bicos finos exibem pernas altas com vaidade. E os carros como nuvens voam pelas faixas num vai e vêm ensurdecedor. Numa das varandas do prédio miranda crianças fingidas de fuzileiros lançam seus jactos de água gelada e evitam o olhar das pessoas que indignadas correm com despreso e raiva. * Foto por Thi Prud.

Anacronismo moderno – Luigi Ricciardi

O primeiro volume de Luigi Ricciardi, o Anacronismo Moderno, inocentemente parece apenas relatar um posicionamento de solidão, velocidade e fragmentação contemporâneos. e a angústia de viver sufocado pela realidade maçante segue o narrador, obliterado pela velocidade do mundo tanto quanto pela alienação de jovens irracionais e insensíveis, pela hipocrisia de homens poderosos e suas religiões sem fé. não apenas uma constante contradição inunda as histórias entre si. revela um só ser.

Wilson – Daniel Clowes

Wilson te encara na capa do quadrinho. há um quê de canino no olhar triste da personagem cabeçuda, entradas avançadas pelo cabelo, usando óculos de lentes grossas camisa, sapato e calça social . ele está parado em uma rua de subúrbio genérico destes de filme americano. mais pela última pista do que pelo conjunto sabemos que Wilson é um perdedor . e a expectativa do parágrafo acima não é frustrada a medida que avançamos pelas páginas. não é apenas no argumento e roteiro que o autor acerta.

Thomas Pynchon, 75 – O gênio recluso

Eu não sou Thomas Pynchon. diz a lenda que o próprio escritor usava uma destas camisetas em um restaurante lotado em Nova York quando foi desmascarado pelo cartunista  Farley Katz. pynchon é o mistério mais bem guardado do mundo literário atual. considerado por muitos o maior romancista vivo de língua inglesa, o James Joyce pós-moderno, o mais recluso escritor que já passou por esse mundão. hoje, em algum lugar dos Estados Unidos, Thomas Ruggles Pynchon Jr.  celebra 75 anos. 1963 – V. d.

Segundos fora – Martín Kohan

Será que dá pra dizer que a literatura argentina é a melhor do mundo? Tem gente que defende isso, eu mesmo costumava defender isso, até perceber que não li o suficiente de nenhuma literatura pra dizer qualquer coisa parecida. de uma coisa eu sei, os embates entre posturas estéticas me parecem mais encarniçados lá. segundos Fora, achei que ficou aquém. mãos à massa. há uma investigação policial envolvendo desafetos antigos, há páginas e páginas descrevendo milimetricamente um soco. lml.

Mike Stilkey: quadros e esculturas sobre livros

“Existe um público para todo mundo. não importa o que você faz. você pode pintar sobre pedras e vai existir alguém que adoooore pintura sobre pedras. faça o que você quer fazer. ”   O que o artista californiano  Mike Stilkey,  dono da frase aí em cima, gosta é pintar sobre livros. e para a sua alegria muita gente adorou a ideia de transformar livros em pinturas e esculturas. hoje em dia, o trabalho do artista é exposto em galerias de arte e museus nos Estados Unidos e na Inglaterra.

O cachorro sempiterno

não sou contista. acho o conto uma solução de continuidade técnica demais, que depende muito de certo funcionamento pra ir adiante, enquanto o romance nos dá os tais dos espaços mortos de significação e se equilibra entre funcionamento e não funcionamento. n’o cachorro se alternam espaços de significação e de não significação, contos rigorosos e entrechos . então estava eu lá e percebi que o senhor Mauro Siqueira estava fazendo ebooks pr’um projeto da revista dele. e aí foi. lml.

Contos de aprendiz – Carlos Drummond de Andrade

Temo que quem nasce-vive-e-morre em uma cidade grande não vive plenamente. Talvez por ter nascido no interior, me aborrecem os cariocas da gema, os paulistas da gema, e qualquer gentílico seguido da gema. Esse avatar urbano, em geral desprovido de terra e espírito arteiro, porém dotado de um desprezo zombeteiro pelo interiorano, recebe – pelo menos cá no Paraná – o gentil e simpático apelido Piá de Prédio. Não cabe aqui esmiuçar o perfil. Opinião minha. Então morri.

Asterios Polyp – David Mazzucchelli (videorresenha)

Pela primeira vez, o Mais 1 Livro dá uma dica de leitura em formato de videorresenha. Em parceria com o Mundo Nerd, o Noah falou um pouco sobre Asterios Polyp, a obra-prima de David Mazzucchelli, livro que já conquistou o status de clássico moderno dos quadrinhos, publicado no Brasil pelo selo Quadrinhos na Cia, da Companhia das Letras. “A arte do livro é belíssima. Todos os desenhos estão contando a história. Dê um play no vídeo abaixo e saiba mais sobre o livro.


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